A elevação da taxa Selic para 15% ao ano, nível mais alto em quase duas décadas, traz um impacto direto no consumo das famílias e nas decisões das empresas. Com juros tão elevados, o crédito fica mais caro, tornando empréstimos pessoais, financiamento de bens e cartão de crédito menos acessíveis para muitos consumidores. Esse encarecimento desestimula a demanda e pressiona o orçamento familiar, especialmente para quem depende de linhas de crédito para consumir ou investir em bens duráveis.
Além disso, a taxa alta contribui para uma desaceleração da atividade econômica. Como explicam economistas, a Selic elevada “compressa a demanda”: há menos incentivo para investir ou gastar e mais tendência para poupar, já que aplicações de renda fixa remuneram mais. Esse efeito limita o crescimento do PIB e reduz o ritmo de contratações e consumo, criando um ciclo mais contido.
Por fim, o patamar elevado da Selic tem um efeito desigual sobre a população: quem possui recursos para investir em títulos públicos ou aplicações atreladas ao juro básico tende a se beneficiar, enquanto famílias com menor renda são mais penalizadas por ter que pagar juros muito altos para tomar crédito. Além disso, mesmo com os juros altos, há tensões econômicas: apesar do aperto, alguns estímulos de políticas públicas podem estar mitigando parte do impacto sobre o consumo, o que pode dificultar o pleno efeito desinflacionário do ciclo de juros elevados.